terça-feira, 21 de outubro de 2008

UMA ROSA É UMA ROSA



É próprio do homem a incoerência. Foi em pleno uso dela que a rosa do Pequeno Principe - Saint-Éxupery, se encheu de vaidades e de desdém fazendo-o partir para depois chorar o amor já ido para outro planeta.

É próprio do homem amar sem querer e às vezes sem nem o perceber. Também o Pequeno Príncipe partiu em busca de outras rosas - para esquecer a sua - e descobriu milhões de outras no seu universo.

Amamos e desejamos deixar o amor partir, outras tantas vezes, somos nós quem partimos e deixamos o porto seguro para trás. Lamentamos, choramos, 'chutamos lata até' , lamentamos nossa ação!

É esta incoerência de ações que nos faz refletir, descobrir que somos seres humanos que erram, acertam, seguem em frente, retrocedem sobre os próprios passos, choram e riem, construindo a própria história.

Importante de tudo isso é a busca da felicidade. Não podemos contudo esquecer de buscá-la dentro de nós mesmos - além das trincheiras da gente! Ou dentro do jardim da gente , porque uma rosa é uma rosa, é uma rosa, é uma rosa!

A essência da rosa é o amor que existe sempre dentro da gente.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

SINAIS DE AMOR




Tudo foi criado para o homem, mas onde estão os homens?

Caminham como em caravanas no deserto de sua própria solidão.

Esqueceram-se de que fora do amor tudo é ilusão!

A amizade muito procurada já não é encontrada porque os homens não se encontram, se esbarram; não se relacionam, se usam; não se falam, gritam; não pedem, exigem. As palavras já não aproximam, afastam. O beijo não é uma demonstração de carinho, é posse ou obrigação!

Não praticam a amizade visceral - a que vem de dentro, porque esta exige tempo (assim como a natureza) pra brotar, crescer, dar frutos! A que exige cuidado e atenção para fortalecer e estar presente nos contratempos do dia-a-dia. Não precisa muito, apenas um olhar de ternura, um sorriso aberto ou um simples cocar de cabeça bastam.

Exige comunicação culminante, onde tudo se baseia profundamente na honestidade, na confiança, na sinceridade. Onde haja comunhão emocional e pessoal completa. Onde os anseios são compartilhados e as alegrias e tristezas duplicadas no amigo com perfeição tal que ambos se tornam instrumentos tocando exatamente a mesma nota e emitindo o mesmo som harmoniosamente.

Aí, exatamente neste ponto da amizade, está morando o amor! Hoje, porém, vivemos a velocidade supersônica. Tudo é pressa, tudo é para ontem, e o amor exige tempo; não é mágica, é real e o real é a perfeição e a perfeição é o eterno...

O amor é luz, observe os rios. O amor é movimento, observe os ventos. O amor é liberdade, observe os pássaros. O amor é responsabilidade, observe as árvores. O amor é trabalho, observe as abelhas. O amor é renovação, observe o amanhecer. O amor é contraste, observe o dia e a noite!

Aqui mora o Maio problema do homem...
Como a natureza se doa sem nada esperar em troca, assim deve o homem proceder. Ele precisa buscar dentro de si o caminho do coração para tornar-se um ser em harmonia com sua própria condição de homem e sair do imenso e árido deserto que ele se tornou, pois no deserto está a morte e para viver o processo amoroso da criação é necessário portanto a sinalização da vida:

OLHE que todo amor é amizade, mas nem toda amizade é amor.

PARE pois é preciso usar as coisas e amar as pessoas.

SIGA no dever de amar a si mesmo e "as pessoas como se não houvesse amanhã".


...Lá longe um pássaro gorjeia e um outro responde com um alegre bem te vi.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

INSPIRAÇÃO MATINAL




      O dia amanhece.

   Sinto a solidão da presença humana, mas ao longe a natureza
fala através dos pássaros que agradecem por mais um dia.

   A sinfonia matinal me saúda com o Bem-te-vi...

 Quisera que os homens ao raiar da nova esperança que o dia traz, também tivessem no olhar tristonho e na face sisuda a alegria e a disposição para dizer “bem te vi” para as surpresas que o novo dia traz, sejam alegres ou tristes, porque são elas o contraste dinâmico da vida.

  Como a natureza, sonhamos a liberdade. Pássaros imigrantes, animais nômades buscando novos campos, águas deslizantes suaves rumo ao mar. Usam da liberdade para sobreviver, mas também para beneficiar. Praticam da graça do oficio do bem. Dão o dom da vida. Pássaros, bichos e insetos, no decorrer do pouco tempo de vida que têm equilibram ecologicamente o planeta.

  Veja a lição do urubu – pássaro necrófilo, de cor lutamente tristonha, com sua fome limpa a natureza dos destroços da morte.

   Observe as abelhas, que famintas vão de flor em flor recolhendo alimentos que energizam o homem e adocicam sua boca!

   Olhe os rios que percorrem seu caminho rumo ao mar, fertilizando a terra, matando a sede, iluminando caminhos gerando riquezas. Sempre pronto a dar!

   Veja o verde a sua volta: tranqüiliza e dá paz ao coração e ainda limpa o ambiente de gazes que eliminaria o ser humano da terra e o oxigena para que a vida se renove a cada instante e, contente com sua solidão, se solidifica em um só lugar, embeleza os campos, perfuma os caminhos. De presente se dá a cada estação.

  Toda a natureza existe desempenhando seu papel com responsabilidade para que o homem seja feliz.

...Ao longe alguém saúda ainda o dia...

Tudo está no seu lugar!

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Transmutação




A transformação se opera no silêncio

e a realidade é uma nova forma de ilusão dos sentidos...

...e então tudo muda!

Do infinito de nós surge a transmutação

e somos os que não somos: um novo corpo,

um novo rosto, uma nova voz.

A diferença se faz igual, nova, única;

Mas também se faz diferente:

os novos sonhos,

o novo falar,

o novo sentir,

a nova visão de mundo

e uma nova sensibilidade a se aguçar.

A ressonância do pensar se propagando ao infinito

se unem criando uma imagem

resplandecente ao longe

cada vez mais perto de mim.

E te toco e te sinto amados seres

advindo de minhas entranhas,

energia primeira,

solta,

liberta,

que se aprisiona e me falas,

e me emocionas num doce enlevar:

“- És vida, és ainda vida,

Continue sempre a amar...”

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

SUBLIMAÇÃO DE AMOR



Chega o dia em que vemos despertar em nosso peito uma explosão de sentimentos que eleva para o ar partículas energéticas que se expandem cada vez mais.
Dá uma grande emoção a sensação de um olhar de ternura sobre nós... Neste frêmito emotivo pairamos no ar como de levitássemos num êxtase oracional.

Este sentir é um enorme gerador de energia que impulsiona à ação e com ela aprendemos a ser coletivos.
Não há mais o eu; somos o nós, posto que " não é possível ser feliz sozinho". E buscamos o outro não mais para a satisfação de nossos desejos, mas para juntos evoluirmos como seres amorosos.

Esse processo induz ao surgimento da amizade - forma de amor com doses menores de emoções negativas - porque estão no âmago do ser humano, na busca incessante do não isolamento, da presença edificante de um ser que é o complemento de vida.


É um sentir visceral que surgindo de dentro para fora se expande e na ausência se eterniza.

Percebe-se que o ser amado nada mais é do que o aqui e o agora do amor, pois mesmo que parta, fica dentro de nós - e somos a morada do amor.
Mesmo distante existe a saudade onde está a presença do que se foi; há a voz e a imagem na recordação que, num simples fechar de olhos traz de volta ao presente o passado há muito ido.
Há além de tudo a certeza de que ainda nos encontraremos, pois o amor está contido na eternidade que somos nós.

domingo, 17 de agosto de 2008

CORROSÃO DE AMOR


Muito se tem alardeado as falas de amor: nelas se juntam como ingredientes fermentados sentimentos de desejos e paixões... Claro que isso é bom. É o cheiro da pele do outro que seduz, é o toque arrepiador, o sabor do beijo que inflama todas as nuances do rubor do climax. E isto nos acostuma.
Acostuma mas não devia, porque deste costume meio"fora de nossa hora e de nosso espaço" é que começa a existir a rotina que antecede as mudanças no sentir do amor. E é este o momento em que se inicia o processo de tentar possuir o outro ao em vez de querer estar com o outro, e quando menos se espera surge o ciúme, que nada mais é que o medo de perder, mas pensando bem perder o quê, se a ninguém possuímos e ninguém é objeto comprável em supermercados ou em shopping center? Imbuídos então por este sentir se parte indubitavelmente para um policiamento cirrado ao outro. Telefonemas são vigiados, emails lidos às escondidas e se, não se vai atrás do outro qual detetive, uma varredura ( quase total, se assim fosse possível) é feita na vida do outro. Se deseja tornar-se sabedor até dos pensamentos!!!
E corroe-se em sentimentos negativos, anula-se em favor daquele a quem se julga amar e o que é pior é que tornamo-nos invisíveis! No entanto desejamos aprisionar o ser amado (?) a todo custo e o sufocamento que isso provoca vai cerceando o sentir do outro, até chegar a exaustão, a fuga e o esquecimento de nós. E a tudo isso ainda chamamos de amor até percebermos que ao correr tanto atrás do outro, nos esquecemos ou nos perdemos à beira do caminho.

Pode-se até achar isso um tanto óbvio, mas é no óbvio, exatamente por ser tão óbvio, que é subestimado, então pecamos contra nós mesmos e depois muito nos arrependemos...

quinta-feira, 24 de julho de 2008

UM OLHAR SOBRE O PALCO





Não, não tenho a intenção da crítica, pois não sou a pessoa mais capaz nem profissional dotada de 'know how' para falar sobre isso. Tenho apenas uma simples visão de expectadora na platéia. A peça assistida por mim ÁLBUM DE FAMÍLIA , do autor Nelson Rodrigues, de quem já havia lido muitas crônicas na antiga Revista Cruzeiro editada lá pelos idos anos 60...depois Realidade - retirada de circulação no período da ditadura militar, muito criticado também, encenada pelos alunos concluintes do curso de teatro do Cefar, muito me agradou pela produção, cenário, plasticidade, movimento e figurino. 

A Produção muito bem feita destoou porém, do espaço onde foi encenado. 
O Cenário rico em elementos, formado por peças simples que serviam para todos os momentos da peça, assim como os próprios personagens que além de terem papéis na história desenvolvida, também eram parte integrante do cenário. A Plasticidade corporal foi a marca da peça, tornando-a rica pela expressividade chocante do tema ( mesmo nos dias atuais ainda choca aos mais dados a sutilezas do tema!). 
O Movimento apresentado em todo decorrer da peça lembrou-me sobremaneira o movimento sutil do tempo que num vai-e-vem constante, leva e traz fatos que tanto nos pode trazer pequenas alegrias como grandes tristezas e decepções. 
O Figurino apropriado à época, mostrava toda a hipocrisia do contexto, que não deixava de também ser a hipocrisia social mostrado em 'Album de Familia'. 
Os personagens foram todos bem interpretados pelos artistas concluintes....claro que dentro das condições emocionais da primeira vez, mas com certeza muito foi melhorado desde o primeiro dia da estréia até término da temporada. E muito irá melhorar ainda, pois cada dia é sempre uma nova estréia! 
A ressalva fica por conta do espaço físico que prejudicou bastante o brilhantismo da peça, pois uma produção como a que foi realizada, deveria ter sido mais valorizada e apresentada em outro espaço, não desmerecendo o local onde foi apresentado, mas ela ( a peça ) requeria uma platéia localizada acima do palco, para que a visão global fosse facilitada aos assistentes, evitando assim o vai-e-vem de cabeça para acompanhar os personagens "espelhados e espelhantes". Com a falta disso, muito se perdeu - e azar o nosso-platéia, pois quem conseguiu absorver tudo o que se passou na peça conseguiu, quem não conseguiu não conseguirá mais.
Saí do teatro com uma interrogação - e acredito que outros também saíram - Por que o Palácio das Artes não cedeu seu espaço para este evento, afinal era a 'peça-formatura' dos artistas que estudaram por todo o tempo em seu próprio espaço...??? 
Teria sido um enriquecimento mútuo, além de oportunizar maior valorização de seu próprio investimento...

Um pote de OURO-MERDA para coroar a estréia daqueles que fizeram este "Album de Família" no mundo da arte!

segunda-feira, 2 de junho de 2008

PARAR PRÁ QUÊ






   
 

    A ociosidade do tempo é rica em criatividade; falo isso porque ela acontece em momentos em que ficar sem fazer nada se torna doloroso, por que muitos encaram o ficar sem nada fazer como atos preguiçosos (e alguns realmente o são – mas isso não é um determinante!) e por isso somos censurados. 

   Falo dos momentos em que parar é apenas a diminuição de atividades e não a parada que se dá nos momentos de depressão, em que entramos em crise e nos quedamos sem alma, ou como preferir - sem ânimo! 

   A força de vontade deve prevalecer acima de tudo, porque não é fácil ficar sem atividades. Experimente fazer uso da prática de meditação. Apesar dos benefícios poucos são os que os conseguem, até por que, para praticar a ociosidade criativa, também se faz necessário à prática do silêncio (tanto o interno como o externo) e o nosso mundo está cada vez mais barulhento e a nossa sociedade estimula cada vez mais o não parar; contudo é preciso experimentar ir além, buscar mais tempo principalmente para si mesmo.

   E com anda a alma da vida?

   Ela está desanimada, alquebrada, perdeu completamente o rumo, está sem sentido, triste pelos cantos da casa, porém deveria estar em constante animação, com muito mais coragem- afinal ela já passou por tantas – suficiente para dar vigor e energia ao próprio corpo sintonizando-o com o universo. Mas esse não deve ser o motivo da vida que desejamos ter.

   Mas o que podemos fazer então?

   É preciso levantar e andar. Levantar para o mais alto de nós e enxergar os efeitos deste ato no espírito cansado; mirar ao longe vislumbrando o horizonte que aponta caminhos e neste ponto estar consciente de que se segue à frente em busca de um futuro melhor e mais evolutivo; para o alto na preparação do corpo e da mente do ser que habita o aqui e agora e está no processo em que treina ser feliz. 

   E é com esta perspectiva que se dá a criação. Criar é expandir a si mesmo, é colocar a alma em ação para que ela possa ouvir o eco das montanhas no farfalhar das plumas das aves e no piar do vôo dos pássaros na amplidão do céu.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Bulidos, mas não abolidos


O homem, lamentávelmente, pela ânsia do ter mais, do poder mais,sempre está a subjugar homens, torná-los nulos diante da sociedade; para isso não mede esforços nem consequências de seus atos. Assim, em todas as épocas existiram homens escravizando homens, esquecidos de que foram criados indiscriminadamente pelo mesmo Deus.
Infelizmente, na terra onde outrora havia a liberdade de ir e vir, chega também o regime abominável, trazido pela ambição e pela preguiça física de batalhar pelo desenvolvimento sadio e cristão e pela mente diabólica que maquinava crescimento econômico em detrimento de seres que, além de serem obrigados a sequestrados seu país, sua tribo, sua família, eram submetidfos a toda ordem de injustiça, desde a social à religiosa, passando pelo abandono de sua cultura nativa, o que fazia com que sua própria condiçao humana fosse relegada a de animal, sem vontades, sem alma, um zero à esquerda, apenas.
E buliram na condição de escravos, mas se esqueceram de que necessitavam também de condições sociais e materiais para transforma-los novamente no que eram: senhores de sua vontade e de sua vida.Esqueceram de que tiraram de sí a razão de viver: o trabalho e os deixaram ao Deus dará... como se deixa um brinquedo velho, no canto de um quarto qualquer.
Hoje temos uma nação típicamente afro-brasileira que tenta encontrar seu lugar na sociedade. Mas que sociedade é essa que lhe reserva como morada os morros, as favelas, o submundo?
Que sociedade é essa que só lhe reserva poucos ( ou nenhum) bancos de escola e como educação, as ruas que lhes dá lições de vida'quase sempre' nefastas, que o conduz à marginalização maior?
Que sociedade é essa que o denegride e ataca em vez de dotá-lo do que lhes tiraram: a terra e a soberania de um povo.
O mínimo que se poderia fazer resgatando-lhes a História e entregar 'os louros' a quem o merece.
Em vez de laurear princesas izabéis da vida, deve-se lembrar de que o mérito nacional na luta pela abolição se deve ao verdadeiro senhor, gerador da riqueza no Ciclo do café, da Cana-de -açucar e no Ciclo do Ouro: o negro!
Ele deve ser resgatado nas suas raízes, na sua cultura e na sua profunda fé pela vida, pois foi ela ( a fé ) quem o sustentou até nossos dias e por muito ainda o sustentará.
O negro deve ser libertado de sua condição de oprimido secular para voltar a ser livre do preconceito que lhe caiu sobre os ombros como um madeiro crucial oferecido pelo branco que, esquecido da irmandade pregada por Cristo, também o crucificou naqueles que trocaram sua vida pela sonhada liberdade.